Entre dois mundos: a sensação de não pertencer totalmente a lugar nenhum
- Bruna Sterza Nicoletta
- 27 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Morar no exterior sendo brasileiro(a) é viver uma experiência única.
Há dias em que nos sentimos parte do novo lugar: compreendemos a língua, nos encantamos com as paisagens, participamos de tradições locais.
Mas, em outros momentos, uma sensação sutil (ou intensa) se instala: a de não pertencer totalmente nem aqui, nem lá.
Essa vivência, comum a muitos expatriados, é mais do que um desconforto. Ela é também um convite para refletir sobre quem somos quando a nossa identidade se espalha por mais de um território.
O “aqui” e o “lá” dentro de nós
Quando deixamos o Brasil, não deixamos para trás nossa forma de falar, pensar e sentir.
Esses elementos viajam conosco e se encontram com novos hábitos, valores e modos de viver.
O resultado é um “eu” que carrega tanto o Brasil quanto o novo país — e que, por isso, nunca é completamente de um só lugar.
O não-pertencimento como experiência
A fenomenologia nos lembra que, antes de buscar “resolver” um sentimento, podemos nos abrir para compreendê-lo.
O não-pertencimento pode revelar o quanto nossa identidade é plural.
Talvez não possamos nos encaixar perfeitamente em uma só cultura — e talvez essa seja justamente a nossa riqueza.
As pequenas fraturas do cotidiano
Essa sensação aparece em momentos simples:
* Quando usamos uma expressão brasileira e ninguém entende.
* Quando seguimos um costume local, mas ainda sentimos que não é “natural” para nós.
* Quando voltamos ao Brasil e percebemos que também já mudamos demais para ser exatamente como antes.
Cada fratura é também uma prova de que estamos em constante transformação.
Criando um “terceiro lugar"
Entre o “aqui” e o “lá” existe um espaço que podemos chamar de nosso.
É um lugar simbólico, feito de memórias, descobertas, afetos e experiências que pertencem somente a nós.
Cultivar esse espaço interno — por meio de conversas significativas, escrita, arte ou encontros — pode nos dar mais enraizamento.
Encontrando sentido no entre
Não estar totalmente em um lugar pode ser visto como perda, mas também como liberdade.
Vivemos com a possibilidade de olhar o mundo de mais de uma perspectiva, de construir pontes entre culturas, de escolher quais partes de cada lugar queremos levar conosco.
O não-pertencimento não precisa ser um peso. Ele pode ser um campo fértil para criar novas formas de ser e estar no mundo.
Se você sente que vive “entre dois mundos” e quer compreender melhor o que isso significa para a sua história, posso caminhar com você nesse processo.
Sou Bruna Sterza Nicoletta, terapeuta certificada na Áustria e ofereço atendimento online para brasileiros que buscam clareza e equilíbrio vivendo fora.
Comentários